home poemese amores desamores vibesetal

Noites de sonho

sábado, 9 de janeiro de 2016

“Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando”.
(Pablo Neruda)

Há quem diga que todas as noites são de sonhos... Mas não só as de verão. O outono sempre foi uma das estações mais encantadoras para mim. As folhas secas caídas no chão deixando as ruas num tom alaranjado e romântico. Certamente minha estação do ano favorita, apesar de que ultimamente meu coração está vivendo uma intensa primavera, brotando as mais lindas flores depois de um inverno rigoroso.

Acordei e permaneci na cama admirando-o dormir, tão serenamente que acordá-lo seria até pecado. Desde que começamos a “deixar rolar e ver onde isso vai dar” que passamos praticamente todas as noites juntos, mas as noites em si não importam, como diria Shakespeare: o que importa são os sonhos. Quando estou com ele parece um sonho, mesmo estando acordada. Ele me faz querer ser melhor, para mim mesma e para as pessoas ao meu redor. Ele me faz sonhar e acreditar que os sonhos são possíveis.

 Às vezes sinto que não sou merecedora da maneira que ele me olha. Eu já disse o quanto sou apaixonada por aqueles olhos? Primeiro porque me lembram o oceano e segundo que me eles me davam uma segurança que eu nunca tive. Um porto seguro, isso que aqueles azuis intensos me transmitiam. Um sentimento tão forte crescendo dentro de mim e por quem eu menos esperava, confesso. Sinto um pouco de medo dessa relação, um medo de não ter mais ele, de ficar longe, de perder. Pode parecer egoismo da minha parte, e é. Mas em tão pouco tempo se tornou tão essencial na minha vida que sem ele parece que nada mais faz sentido.

Nunca acreditei em destino, mas se ele existe mesmo, não posso negar que estou indo para o caminho certo, ou pelo menos o que me parece ser o certo.

Ele acordou esfregando os olhos por causa da claridade e bocejando, ainda era cedo pra acordar.
- Ei volta a dormir, você só entra mais tarde no trabalho – Falei e dei um selinho de bom dia.
- Você tem que parar de me acordar aos beijos ou eu vou acabar me acostumando e ter que passar o resto da minha vida dormindo ao seu lado só pra ter a melhor sensação do mundo pelas manhãs. – Ele disse sorrindo e acariciando meu rosto com as mãos e eu tive a certeza que sim, estava no caminho certo.
- Não seria nada mal...

Dei mais um selinho nele, mas que se aprofundou em um beijo calmo, mas cheio de desejo. Me permiti deliciá-lo sentindo cada pedacinho daquela boca saborosa que só ele tinha. Suguei seu lábio inferior macio e irresistível o fazendo gemer baixinho. Aquela era a melhor coisa do mundo.  Continuamos a nos beijar até o ar se fazer necessário, em seguida levantei e vesti minha camisola que estava ao pé da cama e fui até a cozinha preparar nosso café da manhã.



[...]



"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado” (William Shakespeare , Sonho de uma Noite de Verão).


Nenhum comentário

Postar um comentário